Uma equipa médica dos EUA anunciou esta quinta-feira ter realizado um transplante com sucesso de dois rins de um porco geneticamente modificado para um recetor humano, com morte cerebral, e descobriram que os órgãos produziram urina mas, sobretudo, não fora rejeitados ao final de alguns dias.

O procedimento foi realizado num paciente com morte cerebral que era doador de órgãos registado e com autorização da família, segundo apontou o estudo publicado esta quinta-feira no ‘American Journal of Transplantation’. A equipa de pesquisa pretende eventualmente transplantar rins de porco em pacientes vivos, em ensaios clínicos formais – mas primeiro quis abordar algumas questões críticas de segurança.

O procedimento chega após a implantação bem-sucedida de um coração suíno numa pessoa no início deste mês. Espera-se que os avanços no campo do chamado xenotransplante, ou doação de órgãos entre espécies, possam um dia resolver a escassez crónica de doações de órgãos. O porco doador teve 10 modificações genéticas importantes para tornar os seus órgãos adequados para o transplante humano.

“Os resultados são uma conquista notável para a humanidade e avançam o xenotransplante no campo clínico”, referiu Selwyn Vickers, reitor da Heersink School of Medicine da Universidade do Alabama em Birmingham (UAB), nos Estados Unidos, que realizou o procedimento.

A cirurgia decorreu a 30 de setembro de 2021 e envolveu a colocação de dois rins de um porco geneticamente modificado dentro de uma pessoa, Jim Parsons, de 57 anos, que queria ser um doador de órgãos, mas os seus órgãos foram considerados inadequados. “Os rins transplantados filtraram sangue, produziram urina e, mais importante, não foram imediatamente rejeitados”, disse a UAB em comunicado.