Há diferenças no funcionamento dos cérebros de homens e mulheres. Esta é a conclusão de um estudo, publicado na revista científica ‘Cell’, desenvolvido por uma equipa da Stanford Medicine, nos Estados Unidos, que detetou mais de mil genes que são muito mais ativos na massa cinzenta do cérebro de um género para o outro. Para os investigadores, estes genes são responsáveis por programar “classificação, namoro, sexo e ódio”, uma descoberta que pode ter implicações para uma série de doenças, incluindo Alzheimer, autismo ou esclerose múltipla.
“Os ratos não são humanos. Mas é razoável esperar que tipos análogos de células cerebrais desempenhem papéis nos nossos comportamentos sociais típicos do sexo”, frisou Nirao Shah.
O estudo debruçou-se sobre quatro pequenas estruturas que ajudam os animais a reproduzirem-se e os descendentes a sobreviverem. Outros mamíferos, incluindo os humanos, também partilham dessas estruturas. Os investigadores extraíram tecidos dos animais que continham neurónios enriquecidos com hormonas sexuais. Os genes são os modelos das proteínas, que praticamente fazem todo o trabalho de uma célula. Os níveis de ativação – a taxa na qual os genes copiam e convertem informações- determinam as suas funções. A equipa de especialistas também identificou mais de 600 diferenças em ratos de laboratórios fêmeas em diferentes fases do ciclo estral, o equivalente ao ciclo menstrual de uma mulher.
Alguns dos genes catalogados são fatores de risco para distúrbios cerebrais que são mais comuns em homens ou mulheres, dependendo do gene específico. O transtorno do espectro do autismo é quatro vezes mais comum em homens. Dos 207 genes que conferem alto risco, 29 são mais ativos nos homens, em comparação com apenas 10 nas mulheres.
Não é o primeiro estudo sobre o assunto, apontou o autor, embora as diferenças genéticas anteriormente detetadas tenham chegado a cerca de 100, um número curto para os numerosos comportamentos instintivos profundos. “Acabamos por encontrar cerca de 10 vezes mais”, relatou Shah, isto “sem mencionar os 600 genes cujos níveis de atividade nas mulheres variam com o estágio de ciclo. O trabalho é, na opinião do autor, como “encontrar uma agulha num palheiro”. “As células que identificámos como de missão crítica para essas exibições comportamentais típicas de sexo, namoro, acasalamento ou ódio representam provavelmente menos de 0,0005% de todas as células no cérebro de um rato”, relatou.
“Esta é provavelmente apenas a ponta do iceberg”, concluiu Nirao Shah. “É provável que haja muito mais características diferenciadas por sexo a serem encontradas nessas e em outras estruturas cerebrais, se você souber como procurá-las.”
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